Todo mundo pode

Acabou o Silverchair

Posted on: maio 25, 2011

Eu sei que esse blog é de feminices, mas como na minha humilde opinião histeria adolescente por ídolo pode se encaixar na categoria, resolvi compartilhar com vocês que meu coração está em cacos: o Silverchair acabou. Não estavam mais curtindo tocar juntos, e cada um foi seguir sua vida (mais detalhes aqui). Sei que 99% das pessoas que lerem este post vão pensar: “e daí?”. Amores, saibam que o Silverchair é a banda da minha vida. E ponto. Não tem Beatles, Rolling Stones, Ramones  ou Nirvana que me toquem mais o coração do que esses três rapazes de Newcastle, na Austrália.

Tudo começou quando eu tinha 12 anos. Meu primo, roqueiro-mor da família, compra uma daquelas revistas-pôster da Bizz com várias bandas, por causa do Oasis. Eu, na época tiete dos Hanson e dando meus primeeeiros passinhos no mundo do rock, vi um rapaz lindo e de longas madeixas loiras, como os Hanson, e guardei aquela foto pra mim. Meses depois, assistindo à MTV, vejo que o rapaz loiro cortou os cabelos. E que, além de lindo, ele e seus companheiros fazia uma música de primeira. Eu assistia pela primeira vez ao clipe de “Anthem for the year 2000“, recém-estreado. E caí de amores pelo grupo.

Daí pra frente, começou a saga de uma fã. Moça pobrinha que eu era, sem computador e sequer um som de CD, gravava as músicas em uma fitinha cassete e escutava à exaustão. Quando ia à casa da minha tia (que tinha PC), passava a tarde na internet pesquisando sobre o Chair, ouvindo suas músicas e imprimindo fotos deles. Tinha até a revolucionária ideia de fazer um site sobre a banda voltado para meninas, com um editorial de moda inspirados neles incluso. Nunca concretizei esse plano.

Por eles aprendi inglês (traduzindo as letras com ajuda de um dicionário – não existia Google Translate, dá licença?), comecei a me interessar mais por rock, parei de comer carne por uns meses (Daniel é vegan, e é todo defensor dos animais. Acho isso o máximo!), conheci pessoas de outros estados (por carta! Estou mesmo velha…) e até mesmo da mesma cidade – amigos que hoje não me são mais próximos, mas ainda moram no meu coração. Até namorado igualmente fã eu já tive.

Daniel Johns(vocal/guitarra) era o homem mais lindo do mundo para mim (hoje é meu marido, tá? Amor, te amo!). Eu assinava “Roberta Johns” até nas provas da escola. Criei umas histórias em quadrinhos em que eles eram os personagens – os Silver’s Angels (morro de vergonha, não mostro os desenhos pra quase ninguém). Fiz um vinil-relógio com a letra de “Tomorrow” que eu amava, mas minha mãe jogou fora há algum tempo. Escrevi uma carta com 10 mil “I love you”. Assistia ao Disk MTV e ao Interligado (para que não lembra, o primeiro programa de TV que a Fernanda Lima apresentou) diariamente, para assistir aos clipes. Eu colecionava pôsteres e recortes de revista (mesmo no auge da banda, material sobre eles não era tão fácil assim). Chorei litros porque não pude vê-los no Rock in Rio, em 2001, e tive que me contentar com os míseros flashes exibidos pela Globo (eu estava em uma cidade do interior no dia).

Uns quatro anos depois, a febre diminuiu um pouco. Até que em 2003, eles lançam o Diorama, e minha tietagem voltou com tudo. E eis que anunciam o show deles no Recife. Chorei, pulei, vibrei, quase infartei. Fui ao aeroporto tentar vê-los, mas cheguei cedo demais. Usei meu incipiente faro jornalístico e descobri o hotel em que eles iam ficar. Também cheguei cedo demais, e não pude esperar – meus pais não sabiam que eu estava indo atrás da banda, e meu pai já tinha dito que não queria que eu fizesse isso.

Mas e a rebeldia adolescente, onde fica? Matei dias de aula para tietar na porta do Recife Palace. Controlando a histeria e gastando meu inglês com quem aparecia da produção, fui ganhando a simpatia do povo (modéstia zero, sorry). E nada de contato com os caras, mas o que vale é a farra. No show, não chorei, mas cantei, me descabelei e desmaiei duas vezes (por causa do calor, não de emoção, juro!). Minha câmera fotográfica (analógica) fez a gentileza de travar, então não tirei nem uma mísera fotinha. Mas ok, foi épico, lindo, maravilhoso.

Dia seguinte, uma das tietes que conheci no hotem me liga para dizer que a banda vai descer e falar com os fãs. Me reboco de Olinda par Boa Viagem o mais rápido que consigo, no famigerado Rio Doce/Piedade. Chego lá, na recepção me dizem que eles foram embora. E começo um dos maiores acessos de choro da minha vida. Alguns copos d’água e “se acalme” depois, me explicam que eles na verdade estão na praia, e que eu podia esperar na recepção. Eba! Avistei dois gringos da produção e engatei conversa. Soube que minha carta dos 10 mil “I love you”, que eu tinha entregue por outra pessoa da produção, foi recebida pelo Ben (bateria), e que ele achou muito engraçado.

Algum tempo depois, surge um descamisado, descalço e sorridente Daniel Johns, de mãos dadas com a na época noiva Natalie Imbruglia. Meu coração parou, o mundo congelou naquele momento. Me apresentei, e ganhei abraço, dois beijinhos e sorrisos. Quase morri. Depois fiquei conversando com a Natalie, que é tão fofa que quase desmancha. Algum tempinho depois, uma fresca da produção brasileira da turnê acaba com minha farra e manda eu me afastar, mesmo o Daniel dizendo que não tem problema. E fiquei num sofá, só observando. Pouco depois, Daniel e Natalie sobem (Natalie me olhou com uma cara de “desculpa, mas não posso fazer nada” que ganhou meu coraçãozinho).

Depois, Chris (bateria) e Ben descem. A produtora chata leva meu bloquinho para eles autografarem, entre me manda embora. Mesmo assim saio satisfeita. E os funcionários do hotel, que estavam me vendo por lá há dias, ficaram na maior felicidade por mim, juro! Voltei pra casa nas nuvens, foi meu assunto do mês. Tempos depois, a febre deu uma abaixada de novo, mas o Silverchair ainda é a banda que mais amo e ouço. Quando estou triste, poucas coisas me acalmam como a voz de Daniel. Enfim.

E cá estou eu, adulta, casada, mãe de família e trabalhando, quando recebo essa lapada. Silverchair acabou. Meus ídolos da adolescência (e da vida) não vão mais tocar juntos. É como se um pedaço da minha vida tivesse trincado. Juro que estou segurando o choro. Pensei que os veria ao vivo novamente. Mas é a vida. Vou ouvir todas a músicas no YouTube e passar o dia na fossa…

5 Respostas to "Acabou o Silverchair"

Eu vi menina.
Estou chocada tbm e mto triste.
Mas a vida é assim, cheia de escolhas, um dia eles resolveram se juntas, nós escolhemos por gostar deles e hoje eles resolveram optar pela desmaterialização da banda.
É mto triste pra mim tbm.
E fã é fão.
Fazem meses que não entrava no site da banda e hoje senti de entrar e me deparo com essa triste notícia.
Um grande beijo e sorte a eles e a nós.

Infelizmente é assim o que é bom acaba rápido, conheci o Silverchair quando eu tinha 16 anos e dali em diante comecei a curtir todos os dias .
Ouvia exessivamente o album neon ballroom acho um dos melhores dos caras .
Estou triste em uma parte pq a banda se foi mas estou feliz por terem deixado não só musicas mas sim lições.
quando ouço este cd me lembra de bons tempos e de amigos que ja partiram , um tempo que não volta mais.
A todos que curtem Silverchair não fiquem triste mas mostre aos filhos e netos que nós só não curtiam músicas mas sim tivemos um bom gosto de curtir a melhor banda Australiana deste século.

Achei muito fofa essa sua história! Li tudinho!
Tive minha fase Silverchair também (não tão louca quanto a sua, mas também foi forte) e é super triste quando uma banda assim acaba. Pelo menos eu fui em um show e curti a fase.

Roberta, morri de rir com atua história pq me lembro de tudo…. de tu me contando é claro, pq nessa época eu não era mais do cefet e não estava mais por lá para te ver aprontando pessoalmente… mas quando a gente se encontrou naquele show no recife antigo de umas bandas covers (muito bom o cover do Pearl Jam, acho que era Tundra o nome da Banda!!) e um cover tb do Silverchair, vc me atualizou dos babados…. contei pra todo mundo que minha amiga tinha encontrado pessoalmente o Daniel!!!! (amostrada nada)…. é… mas o tempo passou daqui a pouco a gente vira balsac e só ficam as lembranças mesmo pq a realidade é o trabalho corrido, os meninos para criar e a casa para arrumar!!! =( hihihi…. não tão trágico, mas é mais ou menos assim!!! Vou dormir pq amanhã tenho prova na Federal (ainda tem essa, eu nem me formei ainda, virei ativo imobilizado da UFPE).. xero bunita… e como diria o meu bebê Raul: “até mais!”

Tataréééééé! Saudades mil de vc, gata garota! Pois é, estamos mães de família velhinhas, juahuahuah Bjs e um dia a gente se vê de novo =*

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